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29/10/2026 · 4 min de leitura

chmod explicado: o que significam 755, 644 e as permissões do Linux

Entenda de uma vez o chmod: o que 755, 644, 600 e 777 significam e como somar as permissões do Linux (ler, escrever, executar).

Por Daniel Srougi · Atualizado em 29/10/2026.

Você estava seguindo um tutorial, tudo ia bem, até aparecer aquela linha: chmod 755 arquivo. Você digitou, funcionou, mas ficou aquela pergunta no ar: o que diabos é 755? De onde saiu esse número? E por que às vezes é 644, outras 600, e aquele temido 777 que todo mundo manda não usar?

A boa notícia é que esses números não são mágica nem decoreba. Existe uma lógica simples por trás, e quando você entende, nunca mais precisa copiar e colar sem saber o que está fazendo. Vamos decodificar.

As três perguntas: quem e o quê

Toda permissão no Linux responde a duas perguntas: quem pode mexer no arquivo e o quê essa pessoa pode fazer.

O quem se divide em três grupos:

  • Dono (user): quem criou ou é responsável pelo arquivo.
  • Grupo (group): outros usuários que pertencem ao mesmo grupo do arquivo.
  • Outros (others): todo o resto, qualquer um no sistema.

E o o quê também são três ações:

  • Ler (read): abrir e ver o conteúdo do arquivo (ou listar uma pasta).
  • Escrever (write): alterar, salvar ou apagar o arquivo.
  • Executar (execute): rodar o arquivo como programa (ou entrar numa pasta).

Então, quando você define uma permissão, está dizendo: para cada um dos três grupos (dono, grupo, outros), o que ele pode fazer com as três ações (ler, escrever, executar). É isso. Nada mais.

O truque dos números

Agora a parte que trava todo mundo: por que 755 e não "dono pode ler e escrever"? Porque o Linux usa números para resumir as três ações. Cada ação tem um valor fixo:

  • Ler = 4
  • Escrever = 2
  • Executar = 1

O segredo é: você soma os valores das permissões que quer liberar. Quer que alguém possa ler e escrever? 4 + 2 = 6. Quer ler, escrever e executar (tudo liberado)? 4 + 2 + 1 = 7. Quer só ler e executar? 4 + 1 = 5.

Como são três grupos (dono, grupo, outros), o número do chmod tem três dígitos, um para cada grupo, nessa ordem. Em chmod 755, o primeiro 7 é o dono, o segundo 5 é o grupo, o terceiro 5 são os outros. Traduzindo: o dono tem tudo (7 = 4+2+1), o grupo lê e executa (5 = 4+1), os outros também leem e executam (5 = 4+1).

Decodificando na prática

Com a soma na mão, dá para ler qualquer número. Veja os mais comuns:

  • 755: dono faz tudo (7); grupo e outros leem e executam (5 e 5). Típico de programas e pastas que todos podem acessar, mas só o dono altera.
  • 644: dono lê e escreve (6 = 4+2); grupo e outros só leem (4 e 4). O padrão para arquivos comuns, como páginas e documentos.
  • 600: dono lê e escreve (6); grupo e outros não têm nada (0 e 0). Arquivo privado, só o dono enxerga.
  • 777: todo mundo faz tudo (7, 7, 7). Dono, grupo e outros podem ler, escrever e executar sem restrição.

Repare que o 0 significa "nenhuma permissão" para aquele grupo. É assim que você fecha o acesso de quem não deveria mexer.

Receitas comuns

Na prática, você raramente inventa números. Existem combinações que resolvem quase tudo:

  • 644 para arquivos: use em HTML, imagens, PDFs, arquivos de configuração que não precisam ser executados. O dono edita, o resto só lê. Exemplo: chmod 644 index.html.
  • 755 para pastas e scripts: pastas precisam do "executar" para serem acessadas, e scripts precisam para rodar. Exemplo: chmod 755 deploy.sh.
  • 600 para segredos: chaves SSH, arquivos de senha, tokens. Ninguém além do dono deve ler. Exemplo: chmod 600 id_rsa (o SSH até se recusa a funcionar se a chave estiver aberta demais).

Um alerta rápido sobre o 777: ele libera tudo para todo mundo, inclusive escrever e executar. Pode parecer que "resolve" um erro de permissão, mas é como deixar a porta de casa escancarada para resolver o problema de ter esquecido a chave. Em servidor exposto à internet, é um convite para invasão. Quase nunca é a resposta certa, então evite jogar 777 só para "fazer funcionar".

Agora é automático

Uma vez que você entende que é só somar 4, 2 e 1 para cada um dos três grupos, o chmod deixa de ser um feitiço e vira uma conta de cabeça. Mas se quiser conferir ou montar a permissão sem errar a soma, use a nossa calculadora chmod: você marca as caixinhas de ler, escrever e executar e ela te devolve o número pronto para colar no terminal.

Perguntas frequentes

O que significa chmod 755?

Significa que o dono do arquivo pode ler, escrever e executar (7 = 4+2+1), enquanto o grupo e os outros usuários podem apenas ler e executar (5 = 4+1). É comum em pastas e scripts que todos acessam, mas só o dono altera.

Qual a diferença entre 644 e 755?

No 644, ninguém tem permissão de executar: o dono lê e escreve, grupo e outros só leem. No 755, o dono faz tudo e grupo e outros podem ler e executar. Use 644 para arquivos comuns (HTML, imagens, configs) e 755 para pastas e scripts que precisam rodar.

Por que não devo usar chmod 777?

O 777 libera ler, escrever e executar para todo mundo, inclusive usuários desconhecidos. Em um servidor acessível pela internet, isso permite que qualquer um altere seus arquivos, sendo uma falha grave de segurança. Prefira 644 ou 755 e reserve o 777 apenas para testes locais isolados.

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